Tumor Mesenquimal da Veia Cava Inferior com Extensão Intracardíaca Simulando um Mixoma Atrial em um Adulto Jovem: Relato de Caso
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Resumo
Tumores mesenquimais originados da veia cava inferior com extensão cranial para o átrio direito são raros e podem mimetizar de forma muito semelhante tumores cardíacos primários, particularmente o mixoma atrial, levando a armadilhas diagnósticas e cirúrgicas. Um homem de 29 anos, previamente hígido, foi encaminhado para cirurgia cardíaca após a detecção de uma grande massa no átrio direito por ecocardiografia transtorácica, inicialmente interpretada como mixoma atrial. Não foram realizados exames de imagem seccionais no pré-operatório. No intraoperatório, a lesão foi identificada como extensão cranial de um tumor originado da veia cava inferior, o que motivou ressecção intracardíaca parcial. Exames subsequentes de ressonância magnética demonstraram uma grande massa retroperitoneal direita infiltrativa, associada a extensa trombose tumoral da veia cava inferior. O paciente foi submetido a cirurgia definitiva em etapas, com abordagem multidisciplinar, incluindo ressecção do tumor retroperitoneal, trombectomia tumoral da veia cava inferior e reconstrução da veia cava com enxerto vascular. A análise histopatológica demonstrou uma neoplasia de músculo liso com atipia celular, expressão difusa de marcadores de músculo liso, índice de proliferação Ki-67 de aproximadamente 15% e positividade para p53, sem necrose tumoral ou atividade mitótica, sustentando a classificação como tumor de potencial maligno incerto. Este caso destaca a importância crítica da avaliação sistemática da veia cava inferior em pacientes que se apresentam com massas no átrio direito, uma vez que o diagnóstico incorreto pode resultar em planejamento cirúrgico inadequado e aumento do risco perioperatório. Além disso, ilustra a complexidade diagnóstica dos tumores vasculares de músculo liso com características atípicas e reforça a necessidade de ressecção cirúrgica completa, anticoagulação de longo prazo com rivaroxabana após reconstrução da veia cava e vigilância oncológica estruturada em tumores de potencial maligno incerto.
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